O apanhador no campo de centeio
Às vezes tenho vontade de segurar o mundo em minhas mãos, mas logo percebo que não consigo dar conta nem de mim mesmo. Complicamos tanto, vivemos num mundo de ilusões, comemos coisas artificiais que imitam o sabor dos alimentos, choramos diante das cenas de televisão e não nos comovemos com os mendigos que estão à nossa porta, estereotipamos as pessoas pelo o que vestem e não pelo que são. O que é isso? É um mundo mais belo, ou maquiado para que não vejamos o que realmente ele é?Se me perguntassem isso, eu simplesmente sentaria e esperaria por alguma resposta. Está certo que, de cara, iria responder: sucesso profissional. Estaria sendo mesquinho. A vida não se resume só a trabalho, mas o supervalorizamos. Afinal, qual é o objetivo de nossa existência? Porque essa pergunta atormenta tanto a humanidade? E, se tivéssemos uma resposta, saberíamos viver?
A realidade foi maquiada, muros foram erguidos para separar o homem do seu semelhante mais necessitado, ambientes artificiais floresceram e a reflexão foi lentamente sendo trocada por ação. O mundo busca a ação, a reflexão fica no campo da inutilidade, pois, se tudo que se vive fosse objeto de uma reflexão, muita coisa teria que ser mudada.
A sociedade caminha para sua auto-destruição, ou isso é apenas uma tendência passageira?
“A característica do homem imaturo é aspirar a morrer nobremente por uma causa, enquanto que a característica do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa” Qual a causa pela qual você vive? É necessário, muitas vezes, refletir. Cabe só a você fazer isso.
retirado do livro “O apanhador no campo de centeio” de J. D. Salinger.

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