Trump, você está demitido!
Quem seria o melhor exemplo de liderança a ser seguido: Donald Trump, o bilionário que estrelou o reality show “The Apprentice”, ou Anne Mulcahy, CEO da Xerox? Na opinião de Jeffrey Sonnenfeld, diretor da Yale School of Management, Mulcahy deixa Trump no chinelo.Especialista na preparação de executivos para a alta chefia, Sonnenfeld acompanha de perto a ascensão e a queda de CEOs. Do alto de sua experiência, afirma que o estilo ríspido - e até cruel - de Trump não tem futuro. “Aquele programa (’The Apprentice’) só serve para mostrar o que não se deve fazer”, disse o professor ontem em São Paulo.
Caminham para a extinção, segundo Sonnenfeld, os CEOs que comandam empresas como monarcas e generais, arbitrando, pressionando e punindo. Em seu lugar, entram líderes que combinam sensibilidade com firmeza, geram empatia dentro e fora da empresa, buscam resultados e são autênticos e corajosos.
Nesse segundo perfil é que se encaixa Anne Mulcahy, não por acaso a quinta mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista Forbes, e responsável pela ressurreição da Xerox. Mulcahy comanda a empresa no modelo participativo, incentivando discussões abertas, com direito a discordâncias.
Em entrevista ao jornal USA Today, Mulcahy conta que fez sua carreira aprendendo a aprender. “Quando consegue um emprego, em geral o indivíduo acha que é o melhor, o mais inteligente e que vai mandar nos outros. Em vez disso, deve identificar na equipe quem realmente tem o conhecimento, engajar essas pessoas em seu projeto e aprender com elas.”
Ao assumir o comando, em 2000, Mulcahy encontrou a Xerox com 19 bilhões de dólares em dívidas e quase nenhum dinheiro em caixa. Pediu conselhos sobre o que fazer a várias pessoas, entre elas o investidor Warren Buffet. E ele sugeriu que ela fosse ouvir os empregados e clientes para saber o que estava errado na companhia. Foi o que ela fez durante 90 dias.
Depois de ouvir muita gente, Mulcahy investiu em serviços, demitiu um terço do pessoal, saiu do mercado de consumo e mudou toda a linha de produtos, adequando-os às necessidades dos clientes. De lá para cá, as contas foram entrando nos eixos, e a empresa recobrou posição no mercado e respeito. Um exemplo e tanto.
Fonte: Lucia Reggiani














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