A cegueira da arquidiocese de Recife

Impressiona ver em pleno século XXI uma postura tão retrógrada como que vem sendo adotada pela arquidiocese de Recife que ameaça entrar na Justiça para proibir a distribuição de anticoncepcionais de emergência, conhecidos como pílulas do dia seguinte, pela prefeitura da capital pernambucana mesmo após ser informada que as pílulas serão entregues apenas à mulheres que declararem, a médicos de plantão, que tiveram relações sexuais e que suspeitam de falhas nos métodos contraceptivos normais.

Em entrevista, o ministro da saúde José Gomes Temporão declarou:

“A prefeitura está certa e a Igreja está equivocada”

(…)

“É uma questão de saúde pública, não uma questão religiosa. Lamentavelmente a Igreja, cada vez mais, se afasta dos jovens com esse tipo de postura”

A Arquidiocese do Recife classificou a proposta como “aberração”, mas qual será exatamente o ponto de vista da arquidiocese sobre o número absurdo de crianças de rua passando fome e entregues a marginalização? Se para a arquidiocese uma iniciativa como essa, onde todos tem a ganhar, é uma aberração… ela deveria talvez voltar os olhos a si e encontrar uma denominação compatível.

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Vamos esperar que a arquidiocese não desça ainda mais o nível, desta forma voltaríamos a contra-reforma ou quem sabe ganharíamos uma versão moderna do Index Librorum Prohibitorum.

Update:
Prefeitura ganha e arquidiocese perde, segue desfecho abaixo:

Da Agência Estado – Referência
(29/01/2008 – 15h03)

As autoridades de saúde de Pernambuco poderão distribuir a pílula do dia seguinte no carnaval do Recife. O Ministério Público do estado rejeitou pedido da Igreja Católica para suspender a entrega do medicamento durante os dias de folia. De acordo com nota divulgada pelo órgão, o documento recomenda às Secretarias de Saúde do município e do estado que continuem “com a política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com a distribuição do medicamento e a política de saúde pública adotada, em especial no período carnavalesco”.

A decisão foi tomada pela promotora de Saúde Ivana Botelho, com base em parecer técnico expedido pelas médicas da promotoria Ana Carolina de Freitas Thé e Maria Helena Ferreira da Costa. No laudo, as profissionais afirmam que a pílula do dia seguinte não é um método abortivo. A promotora também levou em consideração a forma como a pílula será distribuída à população, com exigência de avaliação médica prévia, nos postos do sistema público de saúde montados nos principais pontos de folia.

A recomendação do Ministério Público responde ao pedido de suspensão da distribuição da pílula apresentado ao órgão nesta segunda-feira (28) Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife. A representação da Igreja tomou como base a tese de que a pílula seria abortiva e, por isso, sua distribuição constituiria ilegalidade, a não ser em casos de aborto permitido pela legislação brasileira, como estupro e má formação fetal.

No domingo (27), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, havia criticado a decisão da Arquidiocese de Recife e Olinda. No lançamento da campanha nacional de prevenção à aids no carnaval, ele classificou a atitude de “lamentável”, pois cada vez mais afasta os jovens das paróquias.

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