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Um pouco sobre Artur da Távola

10 May 2008 5 views One CommentImprimir artigo Imprimir artigo Enviar artigo Enviar artigo

Intitular-me um profundo admirador de Artur da Távola seria no mínimo pretensioso. Conheci seu trabalho apenas há quatro anos quando recebi uma crônica de autoria atribuída a Mário Quintana a qual posteriormente descobri pertencer a Paulo Alberto Artur da Távola Moretzsohn Monteiro de Barros ou simplesmente Artur da Távola.

Comparo com certa frequência, os trabalhos de Artur da Távola com os de Rubem Alves. Talvez em minha ignorância literária encontro similaridades que vão além de conceitos que os eruditos sempre trazem a tona neste tipo de discussão. Parnasianismo, condoreirismo, dadaísmo… entre tantas outras classificações não fazem sentido algum para mim, não sei o significado dessas palavras a muito tempo. Mas ao debruçar-se sobre um texto, olhos correndo as linhas vagarosamente quando você sente que algo dentro de você está sendo transformado é uma senação maravilhosamente prazerosa e que na escola dos meus sentimentos Artur da Távola e Rubem Alves só tiram dez.

Se você sente esse frio na barriga ao ler Vinícius falando sobre sua “estrela derradeira” ou Augusto dos Anjos tratando seu único filho (nascido morto) como “agregado infeliz de sangue e cal” isso vai depender e muito do seu estado de espírito. Mas o incontestável, o que realmente não podemos negar é essa habilidade tão natural de alguns artístas (como um todo) de atravessarem essa couraça rígida que a vida constrói sobre nossos corações.

Deixo abaixo um pequeno texto desse homem que sendo radialista, escritor, político, produtor, apresentador, cronista entre vários outros trabalhos, ainda arranjou tempo de tocar o coração de muitos brasileiros.

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Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.

Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.

Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem mêdo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

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One Comment »

  • Glau Bianqui said:

    Muito massa esse assunto sobre amar bonito… realmente as pessoas elas tem medo de amar, de se envolver “demais” com outras pessoas, talvez com medo de sofrer, mas uma parte do texto diz:”Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito)”… a frase que mas gostei foi ” Ter razão é o maior perigo no amor.” relamente quem tem razão nunca quer escutar o outro lado, apenas quer mostrar pro outro que tá certo e pronto… amei o assunto…
    bjo!
    Glau…

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