Galileu não entendia de Linux, entendia?
Não se assustem com o título, é claro que estou ciente que Galileu Galilei como um bom observador do espaço preferia as Janelas, se é que me entendem. Alguém riu do trocadilho? Imagino que não, meu humor está especialmente amargo hoje. Que raios de título é esse então? Na verdade não é a este Galileu que me refiro, mas a uma revista de circulação nacional que carrega seu nome, e que muito me decepcionou em sua última edição.
Sou assinante e aprecio verdadeiramente a revista Galileu. Ela, juntamente com a Mundo Estranho reúne uma série de informações que faz pessoas como eu, curiosos e ávidos por cultura inútil, correrem até aquele saco, previamente arremessado sem qualquer carinho por um entregador que tentar descontar na MINHA revista seus desafetos profissionais. Para ele, é apenas mais um saco estendido no chão.
O fato é que em sua edição de Setembro de 2008, a Galileu traz na página 32 uma matéria intitulada “Estranhos caminhos da inclusão digital” que em quase sua totalidade aborda o tema com muita coerência. Neste quase é que mora a discórdia, pois no terceiro parágrafo da matéria assinada por Mário Nagano e Henrique Martin, os responsáveis pelo conceituado Zumo Blog referem-se ao Linux de forma pejorativa e superficial. Segue abaixo trecho da matéria.
Outro exemplo de falha no mundo da inclusão digital é a defesa exacerbada do sistema operacional Linux nos chamados “computadores populares”, máquinas que ganham isenção de inúmeros impostos pelo governo federal. Nada contra o Linux, mas a defesa cega de que “o sistema é livre e pode ser modificado” esconde os problemas do produto. O que você, eu e a torcida do Flamengo queremos é facilidade de uso, e não “sujar” as mãos em linhas de código para fazer um programa funcionar. Dois cliques no mouse e pronto. Simples e fácil (Isso vale para o sistema operacional Ubuntu, mas pouquíssimos fabricantes nacionais vendem máquinas com essa distribuição instalada).
É exatamente por conhecer o excelente trabalho de Mário e Henrique com o Zumo Blog que fiquei estupefato ao ver duas pessoas tão engajadas e bem relacionadas com a área tecnológica avaliarem o contexto que engloba este sistema de forma tão periférica.
Para que mais facilidade de uso do que os inúmeros recursos que o Linux oferece? No artigo “Instalar programas no Linux é mais fácil que no windows” Bruno Torres descreve de forma muito irreverente como a instalação de programas no Linux é infinitamente mais prática, rápida e fácil que no Windows. E não estou falando de Ubuntu, nem das inúmeras distribuições baseadas em Debian. Mas também de distribuições baseadas em em pacotes RPM como o OpenSuSE, Red Hat, Mandriva e tanto outros. Temos sistemas similares até mesmo em distribuições como Slackware, tantas vezes rotulada como complexa, neste caso o slapt-get.
Se existe um sistema problemático, é bem provável que tenha saído de um dos laboratórios de Redmond.


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