Sozinhos, Lya Luft e Diogo Mainardi, já justificam a compra de uma nova edição da revista Veja. Lya, de um lado, sempre com textos que nos levam a repensar conceitos e nos valores humanos de um modo geral. Diogo, no outro extremo, debate assuntos de cunho político-econômico com mestria e um sarcasmo inigualável.
Registro aqui a admiração que tenho por ambos os escritores, tão diferentes em seu modo de escrever e tão indiscutivelmente próximos na impecável qualidade de seus textos.
A mulher e o poder
Escrever sobre homens e poder seria de um óbvio ululante. O poder transforma, e nem sempre para melhor. É preciso saber lidar com ele, para que não nos deforme. A pergunta sobre como as mulheres exercem cargos de mando tem várias respostas, e eu já fiz o teste: desde “estão maravilhosas”, “estão poderosas”, até “andam muito loucas, mandonas demais”. Mulheres são gente: seres humanos, complexos e desvalidos como todos. A vida é que andou se complicando muito desde que mulheres (tão poucas, ainda!) começaram a assumir algum poder. A velocidade com que as mudanças sociais acontecem hoje é perturbadora e, embora nossos avós também dissessem “Nossa! Como este ano passou rápido!”, hoje nossa vida se transforma em mera correria se a gente não cuidar. Tudo é agora, tudo é imediato, e tudo é aqui e rapidinho. Gaza e Washington acontecem no nosso café-da-manhã.
Com o poder acontece o mesmo que ocorre com o tempo: ou o transformamos em nosso bicho de estimação ou ele nos devora. O bicho de estimação a gente aceita, brinca com ele, gosta dele, adapta-se a ele em certas coisas, nem o ignora nem o bota fora. Mas, se o maltratamos, se o detestamos, ele cresce, vira uma fera e nos come. Já que mulheres no poder são quase uma novidade, é sobre isso que me interessa refletir aqui. Não faz tanto tempo que começamos a assumir funções de ministra, prefeita, governadora, cientista, motorista de táxi e ônibus, reitora, e tantas outras. Não fôramos preparadas para enfrentar esse amigo/inimigo, o poder. Sendo pioneiras, e sem modelos a seguir, a quem deveríamos recorrer, em quem nos inspirar à frente do país, do ministério, dos empregados da estância, dos colegas lidando com grandes máquinas agrícolas ou à frente de sindicatos? Restava-nos a imagem dos homens.
Algumas pensaram em igualar-se a eles, com jeitos e trejeitos de capataz furioso ou comandante carrancudo, isto é, virando a caricatura de homens poderosos. Pior que eles, por estarem inseguras, sendo prepotentes. Outras tentaram disfarçar esse poder com exageros de sedução: muitas foram educadas para agradar, não para mandar, e o espectro da mulher sozinha existe. De um homem sozinho, dizem que está “aproveitando a vida”, mas da mulher sozinha eventualmente se comenta: “Coitada, ninguém a quis”. E não adianta reclamar: essa ainda é uma realidade burra, um preconceito idiota, mas não falecido. Com todo esse dilema, corre-se em busca de um “jeito feminino de exercer o poder”. Isso existe? Tem de ser buscado? E o que será, afinal: um jeito o madelicado, doce ou cor-de-rosa? Que os deuses nos livrem disso. Talvez seja apenas um jeito humano, pois é o que todos somos: cheios de fragilidade e força, de qualidades e defeitos, todos em última análise com medo de não ser atendidos. Um professor iniciante tinha tanto pavor de não ser respeitado pelos alunos que abusava de punições, notas baixas, gritos e até socos na mesa, que provocavam, estes sim, riso nos adolescentes.
O mais positivo pode ser as mulheres, sobre as quais aqui especialmente escrevo, tentarem ser naturais. Nem ir ao posto de comando vestidas de freira ou militar, cheias de convencionalismos, ar gélido e voz de metal, nem sedutoras por medo de perder a feminilidade (seja lá o que pensam que isso é). Ser apenas uma pessoa a quem o poder foi dado pela sorte, pelo destino, pelo mérito (o melhor de todos), por algum concurso, enfim, pelos caminhos da profissão, e tentar fazer isso da melhor forma possível. Para exercer o poder não é preciso nem beleza nem feiura, nem coisa alguma além de preparo e capacidade, humanidade, ética, honradez, informação, entendimento do outro, respeito pelo outro para que ele também nos respeite. Para homens e mulheres o comando é difícil, é solitário. E, acreditem, exige cuidado: porque, se pode ajudar, pode também contaminar. Nada melhor do que agir com simplicidade, lucidez e alguma bem-humorada autocrítica, em qualquer posto e em qualquer circunstância desta nossa vida.
Lya Luft para a revista Veja
Edição 2097 – Página 22













ARTIGO: Novo Processo Seletivo para Itacoatiara.
Por Ângela Fernandes
E lá vamos nós. Mais uma vez o processo seletivo para professor temporário acontece em Itacoatiara. E só por curiosidade, fiz uma pesquisa e constatei que o processo seletivo não acontece só aqui. Essa é uma situação em todo sistema educacional do Brasil. Até em Brasília haverá um novo processo seletivo.
Professor temporário, até quando? É injusto. Não concordo. A discriminação existe em relação ao professor concursado e o professor do processo seletivo. Muitos dizem que não. Talvez por nunca terem chegado ao final do ano e se questionarem: Será que continuarei ou não? Receberei meu salário em janeiro? Continuarei na escola onde fui lotado?
Quero entender o sistema que não emprega o jovem por não ter experiência e não admite (efetiva) o experiente que estar a mais de cinco anos na docência. Não é fácil ser do processo seletivo e saber que o contrato vai acabar, que depende da diretora e etc. E quando o profissional não é reconhecido pela aula que ele ministra? E quando aquele que não faz um bom trabalho tem um “amigo importante” e é admitido e suas faltas não são registras? Penso: Será que o presidente Lula passou por isso? Será que você já passou por isso?
É um momento e só um momento de desabafo. Muitos não poderão fazer isso. Faço, porque creio num Deus que protege que salva e liberta. Creio num Deus de justiça que abre portas e fecha portas quando ninguém mais consegue.
A árdua profissão do professor não trás conforto quando se pensa em “ter um bom salário”, como de um médico, advogado ou dentista. No entanto ela é gratificante ao saber que se existe o médico, o dentista, o advogado e outros, são porque um professor passou por eles.
Assim como um profissional se realiza ao exercer a sua profissão, eu e muitos outros professores nos realizamos ao ministrar nossas aulas. Portanto, na crença de que Deus opera quando menos esperamos, oro para que um dia a nossa educação venha a ser modelo como modelos são os sistemas educacionais de paises como França, que segundo Philippe Perrenoud, o ensino secundário do sistema educacional francês equivale ao ensino médio do sistema educacional brasileiro. (PERRENOUD, 2001), Inglaterra e outros. Oro para que todo trabalho exercido com amor e respeito seja valorizado e o sistema educacional de Itacoatiara seja justo.
(Email angelanandes@yahoo.com.br)