É natural que eu não me conforme sobre o caso da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto, Jaílson José da Silva, de 23 em Pernambuco. Mas tão revoltante quanto, para mim, foi a postura da arquidiocese de Recife e seu arcebispo fanfarrão, José Cardoso Sobrinho, que excomungou a equipe médica e a mãe da menina que, acreditem ou não, está sendo acusada de homicídio pela arquidiocese por ter autorizado o aborto.
O aborto foi realizado não por um capricho, mas porque além de ser conseqüência de um estupro, fatalmente culminaria com a morte não apenas do feto, mas também da menina. Segundo a equipe médica, seu corpo de 9 anos, 1,36 metros de altura e 33 quilos não está preparado para a maternidade. A cada dia que passava, o risco era maior, a menina se sentia mal e já apresentava outras complicações. Tinha que ser feita uma intervenção imediata.
Fátima Maia, diretora do centro médico onde foi realizado o procedimento, ganhou o meu respeito ao responder tão brilhantemente sobre o fato de ter sido excomungada:
“Graças a Deus fui excomungada por ter feito a coisa certa“.
E pensar que a mesma arquidiocese já foi ocupada por dom Hélder Câmara, bispo que nos tempos mais inóspitos da ditadura militar, arriscou sua própria vida para salvar a dos outros.













