Home » Social

A cegueira da arquidiocese de Recife

28 janeiro 2008 85 views 16 Comentários Enviar por e-mail

Impressiona ver em pleno século XXI uma postura tão retrógrada como que vem sendo adotada pela arquidiocese de Recife que ameaça entrar na Justiça para proibir a distribuição de anticoncepcionais de emergência, conhecidos como pílulas do dia seguinte, pela prefeitura da capital pernambucana mesmo após ser informada que as pílulas serão entregues apenas à mulheres que declararem, a médicos de plantão, que tiveram relações sexuais e que suspeitam de falhas nos métodos contraceptivos normais.

Em entrevista, o ministro da saúde José Gomes Temporão declarou:

“A prefeitura está certa e a Igreja está equivocada”

(…)

“É uma questão de saúde pública, não uma questão religiosa. Lamentavelmente a Igreja, cada vez mais, se afasta dos jovens com esse tipo de postura”

A Arquidiocese do Recife classificou a proposta como “aberração”, mas qual será exatamente o ponto de vista da arquidiocese sobre o número absurdo de crianças de rua passando fome e entregues a marginalização? Se para a arquidiocese uma iniciativa como essa, onde todos tem a ganhar, é uma aberração… ela deveria talvez voltar os olhos a si e encontrar uma denominação compatível.

Bornfire 480

Vamos esperar que a arquidiocese não desça ainda mais o nível, desta forma voltaríamos a contra-reforma ou quem sabe ganharíamos uma versão moderna do Index Librorum Prohibitorum.

Update:
Prefeitura ganha e arquidiocese perde, segue desfecho abaixo:

Da Agência Estado - Referência
(29/01/2008 - 15h03)

As autoridades de saúde de Pernambuco poderão distribuir a pílula do dia seguinte no carnaval do Recife. O Ministério Público do estado rejeitou pedido da Igreja Católica para suspender a entrega do medicamento durante os dias de folia. De acordo com nota divulgada pelo órgão, o documento recomenda às Secretarias de Saúde do município e do estado que continuem “com a política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com a distribuição do medicamento e a política de saúde pública adotada, em especial no período carnavalesco”.

A decisão foi tomada pela promotora de Saúde Ivana Botelho, com base em parecer técnico expedido pelas médicas da promotoria Ana Carolina de Freitas Thé e Maria Helena Ferreira da Costa. No laudo, as profissionais afirmam que a pílula do dia seguinte não é um método abortivo. A promotora também levou em consideração a forma como a pílula será distribuída à população, com exigência de avaliação médica prévia, nos postos do sistema público de saúde montados nos principais pontos de folia.

A recomendação do Ministério Público responde ao pedido de suspensão da distribuição da pílula apresentado ao órgão nesta segunda-feira (28) Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife. A representação da Igreja tomou como base a tese de que a pílula seria abortiva e, por isso, sua distribuição constituiria ilegalidade, a não ser em casos de aborto permitido pela legislação brasileira, como estupro e má formação fetal.

No domingo (27), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, havia criticado a decisão da Arquidiocese de Recife e Olinda. No lançamento da campanha nacional de prevenção à aids no carnaval, ele classificou a atitude de “lamentável”, pois cada vez mais afasta os jovens das paróquias.

Artigos Relacionados:

Tags: ,,,,
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

16 Comentários »

  • Fabrício Ribeiro said:

    A cegueira não é do Arcebispo Dom José Sobrinho. A cegueira é de quem não percebe a imoralidade que há por trás de um ato como o aborto. A cegueira é de quem não consegue enxergar a perniciosidade da mentalidade contraceptiva. A cegueira é de quem pensa, mesmo inconscientemente, que o sexo é o “deus” do terceiro milênio, e que sua conseqüência natural - a vida - é apenas um “problema” que tem que ser “remediado”.

    Dom José Cardoso Sobrinho está agindo como um verdadeiro sucessor dos apóstolos.

    Como diz a velha máxima, já que você escolheu usar a metáfora da cegueira: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

    Paz e Bem!

  • Joel Teixeira (author) said:

    Paz pra você também Fabrício, apenas lamento que você tenha fundamentado toda a sua resposta em cima de uma questão polêmica como aborto quando não citei essa palavra uma única vez no artigo. Já que o assunto é aborto gostaria de dizer que excetuando-se casos de estupro eu também sou contra.

    Quando você diz “A cegueira é de quem não consegue enxergar a perniciosidade da mentalidade contraceptiva” fico me perguntando se estão aí incluídos todos os recursos contraceptivos como por exemplo o preservativo (masculino/feminino), o anticoncepcional de uso diário, DIU ou mesmo os menos eficazes como a “tabelinha” e o assim chamado “coito interrompido”. Pois se você realmente acredita que o ato sexual deve ser necessáriamente acompanhado de uma gestação, por defender a vida, talvez você esteja esquecendo a quantidade de vidas já salvas quando doenças deixam de ser transmitidas com o uso do preservativo ou o controle do tão comum micropolicistos realizado com a utilização do anticoncepcional diário.

    Certamente não é a primeira vez que a desinformação é seguida diretamente pelo preconceito, vamos aos fatos.

    O Método é Contraceptivo:

    Não é na hora da relação sexual que ocorre a gravidez. Nunca é na hora da relação.

    Os espermatozóides precisam “maturar” dentro do útero e “nadar” em direção às trompas em busca do óvulo. Esse processo ocorre de 12 a 72 horas após a ejaculação, por isso dá tempo (muito tempo), de fazer algum procedimento de prevenção à gravidez, como, por exemplo, tomar a contracepção de emergência.

    A Contracepção de Emergência Não é Abortiva:

    Não é na fecundação que se inicia a gravidez. Milhares de mulheres têm fecundações que ocorrem em seus corpos e são perdidas ou expelidas pelo organismo sem que ninguém perceba, nem que seja apontado em testes de gravidez. A gravidez se inicia quando o óvulo fecundado “cola” nas paredes do útero, o que permite a sobrevivência e início da alimentação celular através do corpo da mãe.

    A contracepção de emergência age ANTES disso: evita a ovulação e atrapalha a mobilidade dos espermatozóides, não permitindo que cheguem às trompas e, conseqüentemente, a fecundar o óvulo.

    Então porque todo essa histeria com relação à contracepção de emergência, que está previsto legalmente para uso no Brasil desde 1996?

    Porque ela chegou como produto disponível nas farmácia, para consumo de todos, e isso assusta idéias conservadoras que acreditam que “quem fez tem que pagar”, associando o sexo a um crime que merece punição: “não se preveniu antes, deve arcar com a gravidez”. Mas já sabemos quem arca, pelo menos na maior parte das vezes: as mães, as mulheres…, principalmente pobres.

  • nanda said:

    Joe….tu é uma borboleta do meu jardim sabia? Hahahahahaha
    Ei, precisando urgentemente trocar idéias poéticas com vc.
    Chêros pessoa!

  • Joel Teixeira (author) said:

    Sempre que precisar, se é que posso ajudar em alguma coisa :-) minha veia poética anda tão atrofiada rsrsrs.

    bjs

  • Fabrício Ribeiro said:

    Caro Joel,

    Agradeço imensamente a sua aula de educação sexual, mas não acho que eu precise dela.

    Eu não fundamentei minha resposta toda sobre a questão do aborto. Apenas mencionei o aborto porque é justamente isso que a pílula do dia seguinte faz. Ela é abortiva, sim, e qualquer tentativa de negar isso é um “maqueamento” da realidade.

    Não é na fecundação que se inicia a gravidez, mas é na fecundação que se inicia a vida. E qualquer iniciativa *artificial* que busque impedir esta vida de seguir seu curso natural é aborto. Simples assim.

    Sendo o aborto proibido no Brasil, creio que o que Dom José Cardoso Sobrinho tentou fazer em Recife foi justamente fazer valer a Constituição Federal.

    Não tente relativizar o uso da pílula do dia seguinte, chamando-a por eufemismos como “contracepção de emergência”. A contracepção em si já é imoral, mas pílula do dia seguinte não é contracepção, é aborto.

    Paz e Bem!

  • Joel Teixeira (author) said:

    Fabrício, bom dia.

    Vejamos alguns pontos:

    “Agradeço imensamente a sua aula de educação sexual, mas não acho que eu precise dela.”
    Espero que possamos manter essa discussão de forma madura e sem sarcasmos. Não estou aqui para dar aula para ninguém, apenas respondi de forma detalhada sobre um assunto pertinente ao aborto e sua fisiologia de um modo geral. Não tenho a mínima intenção de moderar/vetar seus comentários,mas para isso, peço-lhe apenas que tratemos este “fórum” como adultos.

    “Apenas mencionei o aborto porque é justamente isso que a pílula do dia seguinte faz. Ela é abortiva, sim, e qualquer tentativa de negar isso é um “maqueamento” da realidade.”
    Gostaria de lembrá-lo que a noção de realidade da mente humana é tênue. A realidade em si é inapreensível aos sentidos e até mesmo ao intelecto humano, que trabalha com probabilidades e modelos. Somos guiados pelos nossos sentidos, raciocínio, impressões, convicções e sentimentos mas adotar “nossa” verdade como a “verdade” absoluta seria um erro.

    Li certa vez uma frase que dizia “uma pessoa de bom senso é lúcida, sábia e nunca discorda de você”. Quando você diz que a pílula é abortiva, será realmente que você está certo e todos os outros estão errados? A promotoria de Recife está errada? O parecer técnico expedido está errado? Você pode realmente afirmar que os médicos, cientistas e tantos estudiosos mundo a fora estão errados embasando-se unicamente em suas convicções Fabrício?

    “Não é na fecundação que se inicia a gravidez, mas é na fecundação que se inicia a vida. E qualquer iniciativa *artificial* que busque impedir esta vida de seguir seu curso natural é aborto. Simples assim.”
    Mesmo que o fosse, você deu a devida atenção ao trecho “A contracepção de emergência age ANTES disso: evita a ovulação e atrapalha a mobilidade dos espermatozóides, não permitindo que cheguem às trompas e, conseqüentemente, a fecundar o óvulo”.

    “Não tente relativizar o uso da pílula do dia seguinte, chamando-a por eufemismos como “contracepção de emergência”. A contracepção em si já é imoral, mas pílula do dia seguinte não é contracepção, é aborto.”
    Isso é não é um eufemismo e sim uma definição empregada meramente ao fato de ser uma contracepção pós ato sexual, talvez seja hora de rever alguns conceitos.

  • nanda said:

    Pessoa…aquilo ali num era pra parecer uma camisinha não..mas já que pareceu…k bom né. Combina com carnaval.

  • Wagner Moura said:

    Joel, a arquidiocese de Recife procurou o Ministerio Publico porque tinha o direito de faze-lo. Exercer um direito que lhe assiste nada tem a ver com “baixar o nivel”.

    Sobre a pilula do dia seguinte… E’ curioso que a marca Levonelle esclareca que a pilula do dia seguinte e’ sim um abortivo. Voce pode conferir isso no site da marca:

    http://diasimdiatambem.wordpress.com/2008/01/30/fabricante-informa-pilula-e-abortiva/

  • Joel Teixeira (author) said:

    Muito obrigado pela informação Wagner, é de fato um assunto muito polêmico. Vou buscar informações de outras frabricantes. No site da Levonelle ” http://www.levonelle.co.uk ” não encontrei a informação. Você saberia dizer o link para ela?

    No seu blog você fez referência ao site http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2364&Itemid=157 onde a matéria é intitulada como “PÍLULA DO DIA SEGUINTE DIVIDE OPINIÕES EM TODO O PAÍS” pelo visto esse assunto ainda vai dar muito o que falar.

    O interessante é que como diz na matéria “Os contrários ao aborto consideram-na um instrumento para o chamado “aborto químico”, por entendem que a vida se inicia tão logo acontece a fecundação do óvulo pelo espermatozóide.[14]” enquanto que de outro lado há estudiosos que assumem que a vida só inicia-se a partir do momento em que o óvulo gruda na parede do útero e recebe os nutrientes da mãe.

  • Joel Teixeira (author) said:

    Mil desculpas pela pergunta boba Wagner, notei apenas depois que o link estava ao lado da imagem em seu artigo. Mais uma vez obrigado pela contribuição.

  • Rafael Duarte said:

    EITA!

  • Fausto said:

    Joel, bom dia, como vai, tudo bem?
    Prosseguindo na discussão do tema proposto, sugiro o emprego de algum rigor científico. Primeiramente, uma definição de termos*:

    * Usei o mecanismo de busca GOOGLE. Havendo mais de uma definição, estas são numeradas: (i), (ii), …

    - Concepção: fertilização do óvulo pelo espermatozóide.
    - Gravidez: período que vai {(i) da concepção; (ii) da fixação do embrião ao útero} até o nascimento de um novo ser.
    - Aborto: fim prematuro da gravidez.
    - Embrionário: período que vai da concepção até a oitava semana de gestação, quando o embrião passa a ser chamado de feto.

    A definição do que seja a gravidez é particularmente importante, pois é ela que leva à polêmica retratada aqui no seu blog; vamos então analisar a questão pelas duas possibilidades: quando se considera que a gravidez começa (1) na concepção ou (2) na fixação do embrião no útero.

    Vislumbrando o conjunto de possíveis efeitos da pílula do dia seguinte (Levonelle), um dos quais é o de impedir a fixação do embrião no útero, entende-se a princípio que a condição (1) implica em que a pílula é abortiva, enquanto que a condição (2) não.

    Contudo, esta ação do Levonelle de impedir a fixação do embrião atua no sentido de diminuir o revestimento no útero. Agora, admita por hipótese que um embrião tivesse se fixado neste revestimento (portanto, em qualquer caso uma gravidez já teria se iniciado) ao mesmo tempo que este estivesse reduzindo de espessura, por ação do medicamento - como poderia este embrião continuar fixado ao útero, se o revestimento fino é justamente o motivo pelo qual ele não se fixaria?

    A idéia basicamente é: se a redução de espessura do revestimento do útero, pela ação do Levonelle, impede a fixação do embrião no útero, porque não agiria também na separação entre um embrião recém-fixado e útero? (o que classificaria o Levonelle, além de contraceptivo, também como abortivo).

    O próprio fabricante do medicamento dá pistas quanto a isto: “Se estiver grávida, o medicamento poderá prejudicar o bebê?” Resposta: “Não há evidência de que O FETO seja afetado” (então porque não se diz que não será?), “(…) se estiver grávida você NÃO DEVE TOMÁ-LO” (sómente porque o remédio não funcionaria, ou porque provocaria um aborto?)

    Por sinal, observe que o termo inapropriadamente usado na pergunta é feto, ao invés de embrião: lembre-se que há uma diferença de oito semanas entre ambos. Ou será que o fabricante fez isto de forma proposital? Ou seja, o embrião, se chegasse até a fase de feto, não seria afetado; porém, nada se asseguraria em relação ao embrião. (A palavra feto também é usada quando o fabricante se refere ao “mito” de que o Levonelle seja abortivo; de fato, para evitar o rótulo de medicamento abortivo - o que seria consideravelmente prejudicial pelo ponto de vista de mercado - o fabricante cria uma nova definição de gravidez, como o sendo o período que vai desde a fase fetal até o nascimento da criança!)

    Espero ter contribuido de alguma forma nesta discussão.

    Um grande abraço!

  • Wagner Moura said:

    Caro Joel, boa Quaresma! ;)

  • Defendi Dom José e fui censurado « Palavras Apenas… said:

    [...] Dom José e fui censurado Veio parar em minha caixa postal um post de um blog que eu nem conhecia, de um tal Joel, falando o que considero asneiras, contra Dom José C. [...]

  • Joel Teixeira (author) said:

    Idem Wagner :-)

  • Joel Teixeira (author) said:

    Com certeza contribuiu Fausto, muito obrigado pelo comentário e claro pela pesquisa. Desculpe me a demora em responder, estava em viagem.

Deixe seu comentário!

Adicione seu comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site. Você pode também acompanhar os comentários deste artigo via RSS ou email (neste caso, marque a caixa de seleção no final da página).

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

Você pode usar estas tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Este site utiliza o sistema Gravatar (Globally Recognized Avatar) para exibir uma imagem representativa ao lado dos comentários. Caso ainda não tenha, você pode registrar-se gratuitamente em Gravatar.com.