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	<title>The Joe Report &#187; crônica</title>
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		<title>Homens desejam mulheres que não existem</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 22:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img width="450" height="642" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/05/monalisa.jpeg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="monalisa" title="monalisa" />Arnaldo Jabor em uma verdadeira e deliciosa crítica comportamental.  Quem conhece seu excelente trabalho sabe que &#8220;escrever bonitinho&#8221; nunca foi uma de suas preocupações. Desta maneira, enfatizo com a devida formalidade que o texto pode, invariavelmente, ser interpretado como rude por sensíveis, joselitos e sem [...]

<h3>Leia também:</h3><br/><ul class="related-posts">				<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/03/mulheres-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="mulheres" title="mulheres" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/03/parabens-mulheres/">Parabéns Mulheres</a></b>
					<span class="sub">08 March 2008 11:43 AM | 
					3 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/mhjmp7ypripvjin1wz-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="mhjmp7ypripvjin1wz" title="mhjmp7ypripvjin1wz" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2009/03/carlos-drummond-de-andrade-viver-nao-doi/">Carlos Drummond &#8211; Viver não dói</a></b>
					<span class="sub">09 March 2009 12:09 PM | 
					1 Comment</span>
					<span class="excerpt">
					&#8220;Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão [...]					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/09/crise-petroleo-oleo-global-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="crise-petroleo-oleo-global" title="crise-petroleo-oleo-global" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/09/o-petroleo-nao-sera-mais-nosso/">O petróleo não será mais nosso</a></b>
					<span class="sub">08 September 2008 5:17 PM | 
					1 Comment</span>
					<span class="excerpt">
					Mais uma vez prejudicarão os jovens, vendendo o que seria deles.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Arnaldo Jabor em uma verdadeira e deliciosa crítica comportamental.  Quem conhece seu excelente trabalho sabe que &#8220;escrever bonitinho&#8221; nunca foi uma de suas preocupações. Desta maneira, enfatizo com a devida formalidade que o texto pode, invariavelmente, ser interpretado como rude por sensíveis, joselitos e sem noção.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Está na moda – muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!) me fazem lembrar&#8230; Hitler.</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4473" href="http://joelteixeira.net/2009/05/os-homens-desejam-mulheres-que-nao-existem/monalisa/"><img class="size-medium wp-image-4473 alignleft" title="monalisa" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/05/monalisa-210x300.jpg" alt="monalisa" width="210" height="300" /></a>Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas&#8230; e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de “objetos”, produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão&#8230;) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus. O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: “Venham&#8230; eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.</p>
<p style="text-align: justify;">A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4474" href="http://joelteixeira.net/2009/05/os-homens-desejam-mulheres-que-nao-existem/ciumes/"><img class="size-medium wp-image-4474 alignright" title="ciumes" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/05/ciumes-300x245.jpg" alt="ciumes" width="300" height="245" /></a>Mas, o que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram como odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os “olhos de esmeralda nadando em leite” (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: “Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?” Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: “Seja feia&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia – foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4475" href="http://joelteixeira.net/2009/05/os-homens-desejam-mulheres-que-nao-existem/matissefemmeendormie/"><img class="size-medium wp-image-4475 aligncenter" title="matissefemmeendormie" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/05/matissefemmeendormie-300x166.jpg" alt="matissefemmeendormie" width="300" height="166" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam&#8230; O anúncio tinha o slogan em baixo: “She needs no food nor stupid conversation.” Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4476" href="http://joelteixeira.net/2009/05/os-homens-desejam-mulheres-que-nao-existem/alfredgockel_mulher/"><img class="size-medium wp-image-4476 alignnone" title="alfredgockel_mulher" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/05/alfredgockel_mulher-253x300.jpg" alt="alfredgockel_mulher" width="253" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece “libertar” as mulheres. Ilusão à toa. A “libertação da mulher” numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso “mercado da liberdade”. É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Ou será que fui apenas barrado no baile?&#8221;</p>


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					<span class="sub">08 March 2008 11:43 AM | 
					3 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/mhjmp7ypripvjin1wz-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="mhjmp7ypripvjin1wz" title="mhjmp7ypripvjin1wz" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2009/03/carlos-drummond-de-andrade-viver-nao-doi/">Carlos Drummond &#8211; Viver não dói</a></b><br />
					<span class="sub">09 March 2009 12:09 PM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					&#8220;Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão [...]					</span>
				</ul>
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					<span class="sub">08 September 2008 5:17 PM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					Mais uma vez prejudicarão os jovens, vendendo o que seria deles.					</span>
				</ul>
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		<title>R. Alves &#8211; As razões do amor</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 06:15:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img width="433" height="650" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/olhosnosolhos.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="olhosnosolhos" title="olhosnosolhos" />Na absoluta maioria das vezes, aprecio intensamente os artigos do Agnon. Mas esse último&#8230; Passou dos limites!!! Em minha opinião e até este momento, simplesmente o melhor. O artigo intitulado &#8220;Desejo sexual x Eros&#8221; expõe, de forma magnífica, as peculiaridades do amor e do sexo [...]

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					<span class="sub">07 March 2009 1:11 PM | 
					1 Comment</span>
					<span class="excerpt">
					Rubem Alves, em seu &#8220;Retorno e Terno&#8221;, fez o seguinte comentário sobre o poema abaixo:  Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: &#8220;A rosa não tem &#8220;porquês&#8221;. [...]					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/10/amor_parvos.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="amor_parvos" title="amor_parvos" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/10/mpb4-por-quem-merece-amor/">MPB4 &#8211; Por quem merece amor</a></b>
					<span class="sub">11 October 2008 6:53 PM | 
					No Comments</span>
					<span class="excerpt">
					MPB4 em uma belíssima interpretação da música "Por quien merece amor" de Silvio Rodriguez.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/1446258_vgtzp.jpeg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="O Beijo" title="Amor e Saudade" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/05/fernando-pessoa-a-falencia-do-prazer-e-do-amor/">A falência do prazer e do amor</a></b>
					<span class="sub">18 May 2008 6:59 PM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Fragmento de mais uma obra-prima de Fernando Pessoa - Ah, L'Amour.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na absoluta maioria das vezes, aprecio intensamente os artigos do <a href="http://agnonfabiano.blogspot.com/">Agnon</a>. Mas esse <a href="http://agnonfabiano.blogspot.com/2009/03/desejo-sexual-x-eros.html">último</a>&#8230; Passou dos limites!!! Em minha opinião e até este momento, simplesmente o melhor. O artigo intitulado &#8220;<a href="http://agnonfabiano.blogspot.com/2009/03/desejo-sexual-x-eros.html">Desejo sexual x Eros</a>&#8221; expõe, de forma magnífica, as peculiaridades do amor e do sexo na ótica de C. S. Lewis e sob o obstinado crivo do Agnon.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tema vem sendo, direta ou indiretamente, bem abordado em minhas últimas  postagens. O artigo do Agnon não poderia ter vindo em melhor momento, não apenas porque eu concorde integralmente com o artigo, mas principalmente por entendê-lo como um excelente complemento às questões vigorosamente colocadas em evidência aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda nesta linha, segue mais uma belíssima crônica do Rubem Alves, recentemente mencionada <a href="http://joelteixeira.net/2009/03/carlos-drummond-as-sem-razoes-do-amor/">em outro artigo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4046" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/olhosnosolhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-4046 alignleft" title="olhosnosolhos" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/olhosnosolhos-199x300.jpg" alt="olhosnosolhos" width="199" height="300" /></a>&#8220;Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: &#8220;A rosa não tem &#8220;porquês&#8221;. Ela floresce porque floresce.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Eu te amo porque te amo&#8230;&#8221; &#8211; sem razões&#8230; &#8220;Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.&#8221; Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Amor é estado de graça e com amor não se paga.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que &#8220;amor com amor se paga&#8221;. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo. &#8220;Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários&#8230; Amor não se troca&#8230; Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4048" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/heartjv0.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4048" title="heartjv0" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/heartjv0-300x200.jpg" alt="heartjv0" width="300" height="200" /></a>Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena&#8230;), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que &#8220;o coração tem razões que a própria razão desconhece&#8221;. Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Destas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento, e se perguntava: &#8220;Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior? A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco.&#8221; O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá?</p>
<p style="text-align: justify;">Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor &#8211; frágil bolha de sabão &#8211; não contente com sua felicidade inconsciente, se deixou morder pelo desejo de saber. O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. Kierkegaard comentava o absurdo de se pedir aos amantes explicações para o seu amor. A esta pergunta eles só possuem uma resposta: o silêncio. Mas que se lhes peça simplesmente falar sobre o seu amor &#8211; sem explicar. E eles falarão por dias, sem parar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4047" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/edf-713098.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4047" title="edf-713098" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/edf-713098-300x299.jpg" alt="edf-713098" width="300" height="299" /></a>Mas &#8211; eu já disse &#8211; não estou apaixonado. Olho para o amor com olhos de suspeita, curiosos. Quero decifrar sua língua desconhecida. Procuro, ao contrário do Drummond, as cem razões do amor&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Vou a Santo Agostinho, em busca de sua sabedoria. Releio as Confissões, texto de um velho que meditava sobre o amor sem estar apaixonado. Possivelmente aí se encontre a análise mais penetrante das razões do amor jamais escrita. E me defronto com a pergunta que nenhum apaixonado poderia jamais fazer: &#8220;Que é que eu amo quando amo o meu Deus?&#8221; Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: &#8220;Que é que eu amo quando te amo?&#8221; Seria, talvez, o fim de uma estória de amor. Pois esta pergunta revela um segredo que nenhum amante pode suportar: que ao amar a amada o amante está amando uma outra coisa que não é ela. Nas palavras de Hermann Hesse, &#8220;o que amamos é sempre um símbolo&#8221;. Daí, conclui ele, a impossibilidade de fixar o seu amor em qualquer coisa sobre a terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Variações sobre a impossível pergunta:</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4046" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/olhosnosolhos.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4046" title="olhosnosolhos" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/olhosnosolhos-199x300.jpg" alt="olhosnosolhos" width="199" height="300" /></a>&#8220;Te amo, sim, mas não é bem a ti que eu amo. Amo uma outra coisa misteriosa, que não conheço, mas que me parece ver aflorar no seu rosto. Eu te amo porque no teu corpo um outro objeto se revela. Teu corpo é lagoa encantada onde reflexos nadam como peixes fugidios&#8230; Como Narciso, fico diante dele&#8230; No fundo de tua luz marinha nadam meus olhos, à procura&#8230; Por isto te amo, pelos peixes encantados&#8230;&#8221;(Cecília Meireles)</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eles são escorregadios, os peixes. Fogem. Escapam.</p>
<p style="text-align: justify;">Escondem-se. Zombam de mim. Deslizam entre meus dedos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu te abraço para abraçar o que me foge. Ao te possuir alegro-me na ilusão de os possuir. Tu és o lugar onde me encontro com esta outra coisa que, por pura graça, sem razões, desceu sobre ti, como o Vento desceu sobre a Virgem Bendita. Mas, por ser graça, sem razões, da mesma forma como desceu poderá de novo partir. Se isto acontecer deixarei de te amar. E minha busca recomeçará de novo&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a dor que nenhum apaixonado suporta. A paixão se recusa a saber que o rosto da pessoa amada (presente) apenas sugere o obscuro objeto do desejo (ausente). A pessoa amada é metáfora de uma outra coisa. &#8220;O amor começa por uma metáfora&#8221;, diz Milan Kundera. &#8220;Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Temos agora a chave para compreender as razões do amor: o amor nasce, vive e morre pelo poder &#8211; delicado &#8211; da imagem poética que o amante pensou ver no rosto da amada&#8230;&#8221;</p>


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					<span class="sub">07 March 2009 1:11 PM | 
					1 Comment</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Rubem Alves, em seu &#8220;Retorno e Terno&#8221;, fez o seguinte comentário sobre o poema abaixo:  Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: &#8220;A rosa não tem &#8220;porquês&#8221;. [...]					</span>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/10/amor_parvos.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="amor_parvos" title="amor_parvos" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/10/mpb4-por-quem-merece-amor/">MPB4 &#8211; Por quem merece amor</a></b><br />
					<span class="sub">11 October 2008 6:53 PM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					MPB4 em uma belíssima interpretação da música "Por quien merece amor" de Silvio Rodriguez.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/1446258_vgtzp.jpeg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="O Beijo" title="Amor e Saudade" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/05/fernando-pessoa-a-falencia-do-prazer-e-do-amor/">A falência do prazer e do amor</a></b><br />
					<span class="sub">18 May 2008 6:59 PM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Fragmento de mais uma obra-prima de Fernando Pessoa - Ah, L'Amour.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		<title>Entregue-se ao Impossível</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2009/03/entregue-se-ao-impossivel/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2009/03/entregue-se-ao-impossivel/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 17:01:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[tema]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="564" height="451" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/impossible-love-wallpaper.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="impossible-love-wallpaper" title="impossible-love-wallpaper" />Em um outro artigo, citei um fragmento do texto abaixo. Sua autoria é desconhecida para mim, mas quem quer que o tenha escrito merece aplausos. Fascina a simplicidade com que o tema é abordado e mais ainda por seu desenvolvimento e excepcional desfecho.
Nunca me incomodou [...]

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					<span class="sub">09 March 2009 12:09 PM | 
					1 Comment</span>
					<span class="excerpt">
					&#8220;Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão [...]					</span>
				</ul>
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					<img src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/1446258_vgtzp.jpeg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="O Beijo" title="Amor e Saudade" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/05/fernando-pessoa-a-falencia-do-prazer-e-do-amor/">A falência do prazer e do amor</a></b>
					<span class="sub">18 May 2008 6:59 PM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Fragmento de mais uma obra-prima de Fernando Pessoa - Ah, L'Amour.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/sv-amor-e-musica-lee-s-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="sv-amor-e-musica-lee-s" title="sv-amor-e-musica-lee-s" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2009/03/carlos-drummond-as-sem-razoes-do-amor/">Carlos Drummond &#8211; As sem-razões do amor</a></b>
					<span class="sub">07 March 2009 1:11 PM | 
					1 Comment</span>
					<span class="excerpt">
					Rubem Alves, em seu &#8220;Retorno e Terno&#8221;, fez o seguinte comentário sobre o poema abaixo:  Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: &#8220;A rosa não tem &#8220;porquês&#8221;. [...]					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em um outro artigo, <a href="http://joelteixeira.net/2009/01/lifehouse-whatever-it-takes/" target="_blank">citei</a> um fragmento do texto abaixo. Sua autoria é desconhecida para mim, mas quem quer que o tenha escrito merece aplausos. Fascina a simplicidade com que o tema é abordado e mais ainda por seu desenvolvimento e excepcional desfecho.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca me incomodou assistir um bom filme mais de uma vez. Tenho uma pequena videoteca de filmes que, para mim, trazem boas mensagens e de tempos em tempos assisto-os novamente. É como uma releitura onde se quer fixar bem o conteúdo, neste caso, quem sabe, reafirmar alguns valores. Isso é bem particular, os motivos ou finalidades variam muito de pessoa para pessoa. Recentemente  me dei a oportunidade de assistir mais uma vez <em>Love Actually</em>, <em>Janela da Frente</em> e <em>O Jardineiro Fiel</em>.  Segue abaixo uma das melhores cenas deste primeiro e em seguida o texto já comentado.</p>
<p style="text-align: center;"><br /><img src="http://joelteixeira.net/resources/wordtube/Love_Actually.jpg" alt="media" /><br />
[See post to watch Flash video]</p>
<p style="text-align: justify;">Se existem verdades absolutas neste mundo, uma delas é que todos nós temos medo de sofrer. E assim, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se isso fosse possível&#8230;</p>
<p><a rel="attachment wp-att-3925" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/impossible-love-wallpaper.jpg"><img class="size-medium wp-image-3925 alignleft" title="impossible-love-wallpaper" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/impossible-love-wallpaper-300x239.jpg" alt="impossible-love-wallpaper" width="300" height="239" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Obcecados por esse desejo de nos proteger, gastamos nossa energia e nosso tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos das pessoas que amamos e que, sobretudo, desejamos que nos amem. No entanto, não nos damos conta de que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente! Nenhum sentimento é garantido, nenhuma conseqüência é revelada antecipadamente. O futuro é totalmente incerto. E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a possibilidade de conquistarmos o que e a quem amamos, o que é muito diferente de controlar, prever ou obter garantias!</p>
<p><a rel="attachment wp-att-3924" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/heartbreak.jpg"><img class="size-medium wp-image-3924 alignright" title="heartbreak" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/heartbreak-252x300.jpg" alt="heartbreak" width="252" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas pessoas não conseguem encontrar um amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira simplesmente porque estão, todo tempo, tentando obter certezas. As perguntas não param de gritar, as dúvidas não têm fim e o medo de se deparar com a dor parece assombrar milhares de corações, impedindo-os de enxergar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar novamente? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinha? Será? Será?&#8230;</p>
<p><a rel="attachment wp-att-3928" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/lovequestion.jpg"><img class="size-full wp-image-3928 alignleft" title="lovequestion" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/lovequestion.jpg" alt="lovequestion" width="200" height="196" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O que será, eu responderia com muita tranqüilidade, não importa agora! Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero?” Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples pergunta, teremos previsto qualquer possibilidade. Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade; não uma garantia; nunca uma certeza! Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou&#8230; passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto! Jamais teremos como saber se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã ou do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, que usemos nosso coração, a despeito de todo o medo que isso possa nos fazer sentir. Ou seja, que possamos, de uma vez por todas, abrir mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida e o outro e nos concentremos em nós, em nosso coração e em nossos reais objetivos! Assim, descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para uma vida inteira e que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidas, embora possamos mesmo vir a sofrer&#8230; simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade!</p>
<p><a rel="attachment wp-att-3926" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/love-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-3926 alignright" title="love-1" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/love-1-300x285.jpg" alt="love-1" width="300" height="285" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E digo mais: só conseguiremos entrar de fato no coração de alguém, mesmo sem termos certeza disso, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível; quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal, interno, sentimento que não se pode ter em relação a ninguém além de nós mesmos. Portanto, para todas as pessoas que têm se perguntado sobre qual é o “segredo” para viver o amor sem sentir tanta insegurança, tanto ciúme e tanto medo de sofrer, aproveito este momento para responder: o segredo está em saber se você quer, se você realmente quer! Porque se você quiser e fizer por merecer, agindo você com sinceridade, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, com o coração, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-3927" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/falling-star-1.jpg"><img class="size-full wp-image-3927 aligncenter" title="falling-star-1" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/03/falling-star-1.jpg" alt="falling-star-1" width="500" height="495" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E não que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é isso: entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor! Portanto, quando estiver doendo muito, não resista! Simplesmente relaxe, aceite e espere passar&#8230; para novamente, com fé e esforço, voltar a tentar.</p>


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					<span class="sub">09 March 2009 12:09 PM | 
					1 Comment</span>
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					&#8220;Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão [...]					</span>
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					<span class="sub">18 May 2008 6:59 PM | 
					2 Comments</span>
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					Fragmento de mais uma obra-prima de Fernando Pessoa - Ah, L'Amour.					</span>
				</ul>
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					<span class="sub">07 March 2009 1:11 PM | 
					1 Comment</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Rubem Alves, em seu &#8220;Retorno e Terno&#8221;, fez o seguinte comentário sobre o poema abaixo:  Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: &#8220;A rosa não tem &#8220;porquês&#8221;. [...]					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		<title>Quando te vi, amei-te já muito antes&#8230;</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2009/02/quando-te-vi-amei-te-ja-muito-antes/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2009/02/quando-te-vi-amei-te-ja-muito-antes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 15:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img width="400" height="300" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/amor2.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="amor2" title="amor2" />O dia de São Valentim passou mas&#8230; parafraseando John P. Young &#8220;o amor está no ar&#8221;. Ao longo destes quase três anos de blog, fiz questão de publicar textos de diversos escritores que admiro. Poderia citar Lya Luft, Fernando Pessoa, Mário Quintana, Artur da Távola [...]

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					<span class="sub">20 June 2009 8:17 AM | 
					2 Comments</span>
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					Assim são as melhores coisas da vida, surpreendentes.					</span>
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					<span class="sub">15 December 2008 10:05 AM | 
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					Porque algumas mudanças em nossa vida são necessárias, desejáveis ou não. Mais um belíssimo trabalho de Oswaldo Montenegro. 					</span>
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					<span class="sub">10 May 2008 8:46 AM | 
					4 Comments</span>
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					O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O quê e quem a define? Esta crônica aborda este polêmico tema.					</span>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O dia de São Valentim passou mas&#8230; parafraseando John P. Young &#8220;o amor está no ar&#8221;. Ao longo destes quase três anos de blog, fiz questão de publicar textos de diversos escritores que admiro. Poderia citar Lya Luft, Fernando Pessoa, Mário Quintana, Artur da Távola entre outros, mas talvez o mais importante a frisar é que, não obstante a excelente competência dos escritores citados, tenho como meu grande favorito, Rubem Alves.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A crônica abaixo, escrita por Rubem Alves, aborda de forma bem substancial um <a href="http://joelteixeira.net/2009/02/garou-ne-me-parlez-plus-delle/#comment-1003">comentário recentemente deixado aqui pela Iza</a>. Apesar do título &#8220;Quando te vi, amei-te já muito antes&#8221;, inspirado no <a href="http://joelteixeira.net/2008/05/fernando-pessoa-a-falencia-do-prazer-e-do-amor/">mais lindo poema de Fernando Pessoa</a>, a crônica possui um título alternativo chamado &#8220;Cinderela para tempos modernos&#8221;. Qual título escolher é o menos importante, caso queira divulgar, escolha o de sua preferência e passe adiante, simplesmente excepcional.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><a href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/amor2.jpg"><img class="size-full wp-image-3857 aligncenter" title="amor2" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/amor2.jpg" alt="amor2" width="400" height="300" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Era uma vez um casal que era feliz sem ser rico. O pai era professor, gostava de brincar com as crianças e achava que ler era a coisa mais divertida do mundo. A mãe era artista e tocava flauta doce. Moravam numa casa modesta com um jardim na frente e um pomar nos fundos. Tinham uma filha chamada Bruna. Bruna desde pequena dormia ouvindo sua mãe tocar flauta e o seu pai contar estórias. Cresceu, assim, amando música e leitura, coisas que trazem alegria e tornam bonita a alma.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Ao lado de sua casa vivia um casal que era rico e infeliz. A mãe se chamava Monique. Era muito bonita e adorava aparecer nas colunas sociais. A beleza requer cuidados constantes. Monique, assim, gastava o seu tempo e o seu dinheiro com cabeleireiros, manicures, clínicas de estética, spas, regimes, operações plásticas, lojas, perfumes e jóias. Suas duas filhas se chamavam Michelle e Brigitte, nomes franceses que, para ela, eram o máximo de elegância. Monique foi uma educadora bem sucedida, tanto assim que suas filhas em tudo se pareciam com ela. Gostavam de tudo que sua mãe gostava e gastavam tanto quanto sua mãe gastava. Com vidas assim socialmente intensas não lhes sobrava tempo para coisas de somenos importância que nada acrescentavam à sua beleza, tais como poesia e música. O pai era um homem solitário deixado num canto pois não conseguia conversar nem com sua mulher e nem com suas filhas. Refugiou-se numa edícula que fez construir no fundo do quintal. Ali se trancava e se dedicava à leitura e à música. O livro de que mais gostava era A Morte de Quincas Berro D’água, de Jorge Amado, porque julgava que ele e Quincas Berro D’água estavam ligados por um destino comum.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Aconteceu, entretanto, que a mãe de Bruna morreu. Não houve sepultamento porque ela pediu para ser cremada e suas cinzas foram soltas ao vento sobre o mar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Na mesma ocasião o marido de Monique resolveu seguir o exemplo de Quincas Berro D’água. No dia da sua aposentadoria, que ele mantivera em segredo, voltou para casa do trabalho, foi para o seu quarto, pegou uma mala e nela colocou suas roupas. Encaminhou-se então sorrateiramente para porta da saída, no que foi visto por sua mulher e filhas. Elas começaram a esbravejar todas ao mesmo tempo pedindo explicações para aquele ato insólito: “Como se atreve a sair assim, sem permissão, carregando uma mala?” Ele as olhou em silêncio, lembrou-se de Quincas Berro D’água, ficou vermelho e soltou um urro que foi ouvido em todo o quarteirão: “Jararacas!” Com essa palavra serpentina saiu de casa e nunca mais foi visto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Monique não sentiu a menor falta do marido. Sentiu mesmo um certo alívio. Mas mulher sem marido fica sempre numa situação embaraçosa em festas e jantares. Sem o marido era como se ela estivesse sem um sapato. Não ia socialmente bem. Por isso ela ficou logo de tocaia, à espera do momento oportuno para lançar o seu charme sobre o pai de Bruna, vizinho viúvo disponível. Ele seria o sapato que lhe faltava. E o impossível aconteceu. Roído pela tristeza, enfraquecido nos miolos, ele se apaixonou pela megera. Isso não é de se estranhar porque da mesma forma como os homens mais saudáveis podem, repentinamente, ficar gravemente doentes, os homens mais sábios podem, repentinamente, ter um surto de loucura. Contrariando os conselhos de Bruna que percebia o que estava acontecendo, seu pai se casou com Monique, em cuja casa foram morar, porque era muito maior.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mas a felicidade durou pouco. Porque a felicidade depende da capacidade das pessoas de conversar longamente, mansamente, numa boa. Conversa é como frescobol, bola pra lá, bola pra cá. Bruna e o seu pai jogavam com livros, poesia, música, pintura, jardinagem. Mas Monique, Michelle e Brigitte só sabiam jogar com festas, vestidos e colunas sociais.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Bruna, então, era deixada nos cantos, sozinha. Passou a ser motivo de zombaria. Até que se cansou e tomou a decisão de se refugiar na edícula do fundo do quintal onde se dedicava a ler e a tocar flauta doce, de um jeito parecido ao da Gata Borralheira, que se refugiara na cozinha, longe da madrasta e suas filhas malvadas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Vivia naquela cidade um empresário muito rico. Era viúvo e tinha um só filho que nascera cego. Seu pai, entristecido, deu-lhe um nome lindo, tirado de um antiqüíssimo mito grego. Era o nome de um sábio que era cego: Tirésias. Tirésias era um lindo jovem, corpo harmonioso, inteligente, culto e destinado a herdar a fortuna do pai. Seu pai se angustiava pensando que, com a sua morte, seu filho ficaria sozinho. Cego, ele precisava arranjar uma esposa que cuidasse dele. Com o que Tirésias concordava: “É certo, meu pai. Mas eu só me casarei com uma mulher com quem terei prazer em conversar até o fim dos meus dias, uma mulher que seja sensível e culta&#8230;”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Onde descobrir tal esposa para o seu filho? Ele teve, então, uma idéia: um baile! Tirésias dançava maravilhosamente! Flutuava no escuro! Dançando, tendo uma moça nos seus braços, eles conversariam&#8230; E, quem sabe, assim, ele descobriria a mulher com quem teria prazer em conversar pelo resto de sua vida!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Dito e feito. Anunciou-se o baile. Todas as jovens e suas mães se agitaram. As mães sonham sempre com um genro rico&#8230; Michelle e Brigitte fizeram vestidos novos, foram ao cabeleireiro, à manicure, escolheram jóias e perfumes. Quando viram Bruna, caíram na risada. Bruna usava um velho vestido que sua mãe lhe fizera. E ela mesma penteara o seu cabelo. “Você não tem vergonha? Está parecendo uma mendiga. Todos vão rir de você!” Bruna não disse nada. Não tinha nada para dizer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O salão de bailes estava cheio de moças lindas e chiques. A orquestra começou a tocar. As mães, esperançosas, traziam suas filhas até Tirésias. Ele as tomava delicadamente, começava a dançar e lhes fazia uma única pergunta: “Fale-me sobre as coisas de que você mais gosta!”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><a href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/amor.jpg"><img class="size-full wp-image-3858 aligncenter" title="amor" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/amor.jpg" alt="amor" width="427" height="341" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">As jovens, que só conheciam o mundo da visão, falavam de vestidos, viagens, festas, televisão&#8230; Tirésias pensava: “Não, não terei prazer em conversar com essa moça até o fim de minha vida&#8230;” Pedia licença, parava de dançar e começava a dançar com outra jovem. E a mesma coisa se repetia. Tirésias já havia perdido as esperanças quando chegou a vez de Bruna. “Fale-me sobre as coisas de que você mais gosta”, ele lhe disse. E ela começou a falar sobre livros, sobre poesia, sobre música&#8230; Tirésias ficou encantado. Não queria parar de dançar. Bruna ficou em silêncio. Tirésias então lhe disse: “Quando te vi amei-te já muito antes&#8230;” Esse é um verso de Fernando Pessoa, a mais linda declaração de amor jamais escrita! Bruna não deixou que ele terminasse. Completou o segundo verso: “Tornei a encontrar-te quando te achei&#8230;” O rosto de Tirésias se encheu de felicidade. Abriu-se num sorriso. Ah! Aquela moça conhecia o seu mundo! Com ela, ele poderia conversar pelo resto de sua vida!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Michelle e Brigitte, que observavam de longe, perceberam o que estava acontecendo e decidiram interferir. O relógio da igreja batia as doze badaladas: meia noite! As duas correram para Bruna e lhe contaram uma mentira: “Seu pai telefonou. Acabou de chegar de viagem. Está com dores no peito. Pode ser um enfarto. Pediu que você vá para levá-lo ao hospital&#8230;” Bruna não hesitou. Saiu correndo deixando Tirésias com os braços vazios&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O rosto de Tirésias se cobriu de tristeza. Havia deixado escapar o amor que sempre procurara. E nem mesmo o seu nome sabia. Como encontrá-la? Parou de dançar e saiu do salão. E com isso a festa acabou.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Na cama, sem dormir, ele pensava: “O que fazer para encontrá-la?” Até que uma maravilhosa idéia lhe ocorreu. Convidou todas as moças a que viessem conhecer o seu jardim. Foi um alvoroço geral! Quem sabe uma delas seria escolhida!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Tirésias as recebia, uma a uma, assentado num banco do jardim. Os jasmins estavam floridos. O perfume era delicioso! Quando elas se assentavam ele dizia uma única frase. E ficava em silêncio. As moças se sentiam perdidas, sem saber o que dizer. Começavam a tagarelar, dizendo tolices. Ele, então, delicadamente as despedia e pedia que uma outra entrasse. E a mesma coisa acontecia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Até que chegou a vez de Bruna. Tirésias não a reconheceu. Não podia ver o seu rosto. Disse, então, a mesma frase que dissera para todas:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">“Quando te vi, amei-te já muito antes&#8230;”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span> </span>E Bruna completou: “Tornei a encontrar-te quando te achei&#8230;”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Não precisaram dizer palavra alguma. Abraçaram-se, rindo de felicidade. A busca chegara ao fim. O casamento foi marcado e todas as moças, suas mães e pais foram convidados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><a href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/heart.jpg"><img class="size-full wp-image-3868 aligncenter" title="heart" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2009/02/heart.jpg" alt="heart" width="368" height="400" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A festa foi maravilhosa, com música, danças, fontes luminosas, sinos, fogos de artifício, e coisas deliciosas de se beber e comer. E todas as jovens receberam, como recordação, um presente de Tirésias: um livro, embrulhado e amarrado com uma fita amarela: Obra Poética de Fernando Pessoa, com uma dedicatória que dizia assim: “Esperamos, Bruna e eu, que você aprenda a gostar de poesia. Pois é da poesia que nasce o amor.”</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Quanto a Tirésias e Bruna, viveram felizes muitos anos, até a velhice, conversando sempre alegremente sobre as coisas que tornam bela a vida&#8230; E mesmo depois de esgotados os fogos efêmeros do amor jovem, eles continuaram a se amar aquecidos pela chama suave da ternura, até o fim.</span></p>


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					<span class="sub">20 June 2009 8:17 AM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Assim são as melhores coisas da vida, surpreendentes.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/12/070794ec2e9fea61950b35db01c3cd18b608d7f7-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="Mudar dói, não mudar dói muito" title="Mudar dói, não mudar dói muito" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/12/mudar-doi-nao-mudar-doi-muito/">Mudar dói, não mudar dói muito</a></b><br />
					<span class="sub">15 December 2008 10:05 AM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Porque algumas mudanças em nossa vida são necessárias, desejáveis ou não. Mais um belíssimo trabalho de Oswaldo Montenegro. 					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="27" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/rosadamorte.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="Rosa da Morte" title="Rosa da Morte" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/05/rubem-alves-sobre-a-morte-e-o-morrer/">Rubem Alves &#8211; Sobre a morte e o morrer</a></b><br />
					<span class="sub">10 May 2008 8:46 AM | 
					4 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O quê e quem a define? Esta crônica aborda este polêmico tema.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rubem Alves &#8211; Sobre a morte e o morrer</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2008/05/rubem-alves-sobre-a-morte-e-o-morrer/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2008/05/rubem-alves-sobre-a-morte-e-o-morrer/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 May 2008 11:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="400" height="300" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/rosadamorte.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="Rosa da Morte" title="Rosa da Morte" />O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O quê e quem a define? Esta crônica aborda este polêmico tema.

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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b>
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b>
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de<br />
um ser humano? O que e quem a define?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/rosadamorte.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-254 aligncenter" title="Rosa da Morte" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/05/rosadamorte-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: &#8220;Morrer, que me importa? (&#8230;) O diabo é deixar de viver.&#8221; A vida é tão boa! Não quero ir embora&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: &#8220;Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?&#8221;. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: &#8220;Não chore, que eu vou te abraçar&#8230;&#8221; Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.</p>
<p style="text-align: justify;">Cecília Meireles sentia algo parecido: &#8220;E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega&#8230; O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias&#8230; Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto&#8230;¿</p>
<p style="text-align: justify;">Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. &#8220;Minha filha, sei que minha hora está chegando&#8230; Mas, que pena! A vida é tão boa&#8230;¿</p>
<p style="text-align: justify;">Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: &#8220;O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?&#8221;. O médico olhou-o com olhar severo e disse: &#8220;O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.</p>
<p style="text-align: justify;">Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a &#8220;reverência pela vida&#8221; é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos dos chamados &#8220;recursos heróicos&#8221; para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da &#8220;reverência pela vida&#8221;. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: &#8220;Liberta-me&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: &#8220;Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei&#8230;&#8221;. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem as escrituras sagradas: &#8220;Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer&#8221;. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A &#8220;reverência pela vida&#8221; exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a &#8220;morienterapia&#8221;, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a &#8220;Pietà&#8221; de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.</p>


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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fernando Sabino &#8211; O gato sou eu [crônica]</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2008/01/fernando-sabino-o-gato-sou-eu-cronica/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2008/01/fernando-sabino-o-gato-sou-eu-cronica/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Jan 2008 19:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[sabino]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://joelteixeira.net/archives/fernando-sabino-o-gato-sou-eu-cronica/</guid>
		<description><![CDATA[<img width="213" height="230" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/Fernando_SABINO.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="Fernando_SABINO" title="Fernando_SABINO" />Excelente crônica escrita por Fernando Sabino, mas quem é o gato afinal? O psicanalista, tão atencioso em sua análise ou o cliente que lhe conta seu sonho? Entre um e outro, o gato firma-se como símbolo da liberdade incondicional de sonhar.

<h3>Leia também:</h3><br/><ul class="related-posts">				<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b>
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/Casamento3-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="Casamento3" title="Casamento3" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-ate-que-a-morte-cronica/">Rubem Alves &#8211; Até que a morte [crônica]</a></b>
					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b>
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Excelente crônica escrita por Fernando Sabino, mas quem é o gato afinal? O psicanalista, tão atencioso em sua análise ou o cliente que lhe conta seu sonho? Entre um e outro, o gato firma-se como símbolo da liberdade incondicional de sonhar.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/gato_sorriso.jpg" alt="O gato sou eu" /></p>
<p>- Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.<br />
- Continuou dormindo.<br />
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.<br />
- Que espécie de gato?<br />
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.<br />
- A que você associa essa imagem?<br />
- Não era uma imagem: era um gato.<br />
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?<br />
- Associo a um gato.<br />
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira&#8230; Evidentemente esse gato sou eu.<br />
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.<br />
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.<br />
- Uma projeção do senhor?<br />
- Não: uma projeção do <em>eu</em>. O eu, no caso, é você.<br />
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.<br />
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.<br />
- Em quem o senhor está falando?<br />
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.<br />
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.<br />
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.<br />
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?<br />
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.<br />
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?<br />
- Aí é que você se engana. O gato é você, na <em>sua</em> opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.<br />
- E eu insisto em dizer: não é.<br />
- Sou.<br />
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.<br />
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem&#8230;<br />
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?<br />
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.<br />
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.<br />
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.<br />
- Já disse que o gato sou eu!<br />
- Sou eu!<br />
- Ponha-se para fora do meu gato!<br />
- Ponha-se para fora daqui!<br />
- Sou eu!<br />
- Eu!<br />
- Eu! Eu!<br />
- Eu! Eu! Eu!</p>
<p><strong>Fique por dentro:</strong></p>
<blockquote>
<p align="justify">Fernando Tavares Sabino (<a title="Belo Horizonte" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Belo_Horizonte">Belo Horizonte</a>, <a title="12 de outubro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/12_de_outubro">12 de outubro</a> de <a title="1923" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1923">1923</a> — <a title="Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_%28Rio_de_Janeiro%29">Rio de Janeiro</a>, <a title="11 de outubro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/11_de_outubro">11 de outubro</a> de <a title="2004" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/2004">2004</a>) foi um <a title="Escritor" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Escritor">escritor</a> e <a title="Jornalista" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalista">jornalista</a> <a title="Brasil" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil">brasileiro</a>.Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio e começou a colaborar regularmente com artigos, <a title="Crônica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%B4nica">crônicas</a> e <a title="Conto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conto">contos</a> em revistas da cidade, conquistando prêmios em concursos.<br />
No início da <a title="Década de 1940" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9cada_de_1940">década de 1940</a>, começou a cursar a Faculdade de <a title="Direito" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito">Direito</a> e ingressou no jornalismo como redator da <a title="Folha de Minas" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Folha_de_Minas">Folha de Minas</a>. Seu primeiro livro de contos, <em>Os grilos não cantam mais</em>, foi publicado em <a title="1941" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1941">1941</a>, no Rio de Janeiro.</p>
<p align="justify">Tornou-se colaborador regular do jornal <a title="Correio da Manhã (Brasil)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Correio_da_Manh%C3%A3_%28Brasil%29">Correio da Manhã</a>, onde conheceu <a title="Vinicius de Moraes" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinicius_de_Moraes">Vinicius de Moraes</a>, de quem se tornou amigo.</p>
<p align="justify">Mudou-se para o <a title="Rio de Janeiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro">Rio de Janeiro</a> em <a title="1944" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1944">1944</a>. Depois de se formar em Direito na Faculdade Federal do Rio de Janeiro em <a title="1946" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1946">1946</a>, viajou com Vinicius de Moraes aos <a title="Estados Unidos da América" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica">Estados Unidos da América</a>, onde morou por dois anos em <a title="Nova Iorque" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iorque">Nova Iorque</a>.</p>
<p align="justify"><em>O encontro marcado</em>, uma de suas obras mais conhecidas, foi lançada em <a title="1956" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1956">1956</a>, ganhando edições até no exterior, além de ser adaptada para o <a title="Teatro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro">teatro</a>. Sabino decidiu, então (<a title="1957" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1957">1957</a>), viver exclusivamente como escritor e jornalista. Iniciou uma produção diária de <a title="Crônica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%B4nica">crônicas</a> para o <a title="Jornal do Brasil" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornal_do_Brasil">Jornal do Brasil</a>, escrevendo mensalmente também para a revista <a class="new" title="Revista Senhor" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Revista_Senhor&amp;action=edit">Senhor</a>.</p>
<p align="justify">Em <a title="1960" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1960">1960</a>, Fernando Sabino publicou o livro <em>O homem nu</em>, pela <a class="new" title="Editora do Autor" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Editora_do_Autor&amp;action=edit">Editora do Autor</a>, fundada por ele, <a title="Rubem Braga" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Braga">Rubem Braga</a> e <a class="new" title="Walter Acosta" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Walter_Acosta&amp;action=edit">Walter Acosta</a>. Publicou, em <a title="1962" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1962">1962</a>, <em>A mulher do vizinho</em>, que recebeu o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil.</p>
<p align="justify">Em <a title="1966" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1966">1966</a>, fez a cobertura da <a title="Copa do Mundo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo">Copa do Mundo de Futebol</a> para o Jornal do Brasil. Fundou, em <a title="1967" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1967">1967</a>, em conjunto com Rubem Braga, a <a class="new" title="Editora Sabiá" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Editora_Sabi%C3%A1&amp;action=edit">Editora Sabiá</a>, onde publicou livros de Vinicius de Moraes, <a title="Paulo Mendes Campos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Mendes_Campos">Paulo Mendes Campos</a>, <a title="Otto Lara Resende" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_Lara_Resende">Otto Lara Resende</a>, <a title="Carlos Drummond de Andrade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade">Carlos Drummond de Andrade</a>, <a title="Manuel Bandeira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Bandeira">Manuel Bandeira</a>, <a title="Cecília Meireles" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles">Cecília Meireles</a> e <a title="Clarice Lispector" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector">Clarice Lispector</a>, entre outros.</p>
<p align="justify">Publicou o <a title="Romance" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Romance">romance</a> <em><a title="O grande mentecapto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_grande_mentecapto">O grande mentecapto</a></em> em <a title="1979" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1979">1979</a>, iniciado mais de trinta anos antes. A obra, que lhe rendeu o <a title="Prêmio Jabuti" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Jabuti">Prêmio Jabuti</a>, e acabaria sendo adaptada para o <a title="Cinema" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema">cinema</a>, com direção de <a title="Oswaldo Caldeira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswaldo_Caldeira">Oswaldo Caldeira</a>, em <a title="1989" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1989">1989</a>, e também para o teatro. Em julho de <a title="1999" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1999">1999</a>, recebeu da <a title="Academia Brasileira de Letras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Brasileira_de_Letras">Academia Brasileira de Letras</a> o <a title="Prêmio Machado de Assis" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Machado_de_Assis">prêmio Machado de Assis</a> pelo conjunto de sua obra.</p>
<p align="justify">Faleceu em sua casa em <a title="Ipanema" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ipanema">Ipanema</a> (zona sul no <a title="Rio de Janeiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro">Rio de Janeiro</a>), vítima de <a title="Câncer" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ncer">câncer</a> no <a title="Fígado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADgado">fígado</a>, às vésperas de seu 81º aniversário.</p>
</blockquote>


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					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/Casamento3-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="Casamento3" title="Casamento3" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-ate-que-a-morte-cronica/">Rubem Alves &#8211; Até que a morte [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rubem Alves &#8211; A Praga [crônica]</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-a-praga/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-a-praga/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Jan 2008 14:21:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[igreja]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[rubem alves]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="400" height="300" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/casamento.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="casamento" title="casamento" />Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.

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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b>
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b>
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Neste polêmico texto &#8216;A Praga&#8217;, do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.</p>
<p align="justify"><img class="alignleft" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/divorcio.png" alt="Divórcio" width="302" height="359" align="right" />É BOM atentar para o que o papa diz. Porta-voz de Deus na Terra, ele só pensa pensamentos divinos. Nós, homens tolos, gastamos o tempo pensando sobre coisas sem importância tais como o efeito estufa e a possibilidade do fim do mundo. O papa vai direto ao que é essencial: &#8220;O segundo casamento é uma praga!&#8221;Está certo. O casamento não pertence à ordem abençoada do paraíso. No paraíso não havia casamento. Na Bíblia não há indicação de que as relações amorosas entre Adão e Eva tenham sido precedidas pelo cerimonial a que hoje se dá o nome de casamento: o Criador, celebrante, Adão e Eva nus, de pé, diante de uma assembléia de animais, tudo terminando com as palavras sacramentais: &#8220;E eu, Jeová, vos declaro marido e mulher. Aquilo que eu ajuntei os homens não podem separar&#8230;&#8221;Os casamentos, o primeiro, o segundo, o terceiro, pertencem à ordem maldita, caída, praguejada, pós-paraíso. Nessa ordem não se pode confiar no amor. Por isso se inventou o casamento, esse contrato de prestação de serviços entre marido e mulher, testemunhado por padrinhos, cuja função é, no caso de algum dos cônjuges não cumprir o contrato, obrigá-lo a cumpri-lo.</p>
<p align="justify">Foi um padre que me ensinou isso. Ele celebrava o casamento. E foi isso que ele disse aos noivos: &#8220;O que vos une não é o amor. O que vos une é o contrato&#8221;. Aprendi então que o casamento não é uma celebração do amor. É o estabelecimento de direitos e deveres. Até as relações sexuais são obrigações a ser cumpridas.Agora imaginem um homem e uma mulher que muito se amam: são ternos, amigos, fazem amor, geram filhos. Mas, segundo a igreja, estão em estado de pecado: falta ao relacionamento o selo eclesiástico legitimador. Ele, divorciado da antiga esposa, não pode se casar de novo porque a igreja proíbe a praga do segundo casamento. Aí os dois, já no fim da vida, são obrigados a se separar para participar da eucaristia: cada um para um lado, adeus aos gestos de ternura&#8230; Agora está tudo nos conformes. Porque Deus não enxerga o amor. Ele só vê o selo eclesial.O papa está certo. O segundo casamento é uma praga. Eu, como já disse, acho que todos são uma praga, por não ser da ordem paradisíaca, mas da maldição. O símbolo dessa maldição está na palavra &#8220;conjugal&#8221;: do latim, &#8220;com&#8221;= junto e &#8220;jugus&#8221;= canga. Canga, aquela peça pesada de madeira que une dois bois. Eles não querem estar juntos. Mas a canga os obriga, sob pena do ferrão&#8230;Por que o segundo casamento é uma praga? Porque, para havê-lo, é preciso que o primeiro seja anulado pelo divórcio. Mas, se a igreja admitir a anulação do primeiro casamento, terá de admitir também que o sacramento que o realizou não é aquilo que ela afirma ser: um ato realizado pelo próprio Deus.</p>
<p align="justify">Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela. Donde, a igreja é uma balela&#8230; Com o divórcio ela seria rebaixada do seu lugar infalível e passaria a ser apenas uma instituição falível entre outras. A igreja não admite o divórcio não é por amor à família. É para manter-se divina&#8230;A igreja, sábia, tratou de livrar seus funcionários da maldição do amor. Proibiu-os de se casarem. Livres da maldição do casamento, os sacerdotes têm a suprema felicidade de noites de solidão, sem conversas, sem abraços e nem beijos. Estão livres da praga&#8230;</p>


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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rubem Alves &#8211; Até que a morte [crônica]</title>
		<link>http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-ate-que-a-morte-cronica/</link>
		<comments>http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-ate-que-a-morte-cronica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 03:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="224" height="240" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/Casamento3.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="Casamento3" title="Casamento3" />Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.

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					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
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					<span class="excerpt">
					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b>
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
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					<span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b>
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
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					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">De vez em quando o diabo me aparece e temos longas conversas.<a title="Devil" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/devil.gif"><img class="alignright" style="float: right;" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/devil.thumbnail.gif" alt="Devil" align="right" /></a></p>
<p align="justify">Em nada se parece com o que dizem dele: rabo, chifres, patas de bode e cheiro de enxofre. Cavalheiro de voz mansa e racional, bem vestido, apreciador de desodorantes finos, me surpreende sempre pela lógica dos seus argumentos. Nada de futilidades. Só fala sobre o essencial, estilo que aprendeu com Deus, nos anos em que foi seu discípulo. Percebi que era ele quando notei que trazia na sua mão direita o martelo e, na esquerda, a bigorna. Pois esta é a sua missão: martelar as certezas, ferro contra ferro, para ver se sobrevivem ao teste.</p>
<p align="justify">Já se preparava para dar a primeira martelada quando o interrompi:</p>
<p align="justify">- Que é isto que você vai bater? Acho que vai se partir em mil pedaços&#8230;</p>
<p align="justify">A coisa que estava sobre a bigorna me parecia feita de louça, um bibelô delicado e frágil, e lamentei que o diabo fosse esmigalhá-la.</p>
<p align="justify">- Não tenho outra alternativa &#8211; ele me respondeu. &#8211; É parte de uma aposta que fiz com Deus. Este bibelô delicado é o casamento. E você pode estar certo: não resistirá ao ferro do meu martelo!</p>
<p align="justify">Fiquei indignado que ele estivesse maquinando coisa tão perversa e passei ao ataque.</p>
<p align="justify">- Não é à toa que os religiosos dizem que você é o anti-Deus. Deus junta. Você separa! A sua bigorna já destruiu muitos lares!</p>
<p align="justify">Ele não tinha pressa. Descansou o seu martelo e me falou com voz imperturbada:</p>
<p align="justify">- Já estou acostumado às calúnias. Mas não existe coisa alguma mais distante da verdade. Se há uma coisa que eu desejo é um casamento duradouro, até que a morte os separe. Se ponho o casamento na bigorna é justamente para provar que a receita do Criador não funciona. A minha é muito mais eficaz.</p>
<p align="justify">Como o meu silêncio indicasse minha disposição em ouvi-lo, ele continuou a falar:</p>
<p align="justify">- Todo mundo sabe que, no início, eu era a mão direita de Deus. Estávamos de acordo em tudo. Ele mandava, eu fazia. Foi por causa do casamento que nos separamos. Até então trabalhávamos juntos. Quando Deus disse que não era bom que o homem estivesse só, e melhor seria que ele tivesse uma mulher, eu concordei. Quando Deus disse que esta união teria de ser sem fim, até a morte, eu aplaudi. Mas aí apareceu o pomo da discórdia. Para colar o homem na mulher, Deus foi buscar uma bisnaguinha de amor. Protestei. Argumentei:</p>
<p align="justify">- Senhor! Amor é coisa muito fraca, de duração efêmera! Quem é colado com o amor logo se separa!</p>
<p align="justify">Citei o poeta: &#8220;Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure!&#8221; Amor é chama tênue, fogo de palha. Não pode ser imortal. No começo, aquele entusiasmo. Mas logo se apaga. Chama de vela, fraquinha, que se vai com qualquer ventinho&#8230; Amor é bibelô de louça. Todos os amantes sabem disso, mesmo os mais apaixonados. E não é por isso que sentem ciúmes? Ciúme é a consciência dolorosa de que o objeto amado não é posse: ele pode voar a qualquer momento. Por isto o amor é doloroso, está cheio de incertezas. Discreto tocar de dedos, suave encontro de olhares: coisa deliciosa, sem dúvida. E é por isso mesmo, por ser tão discreto, por ser tão suave, que o amor se recusa a segurar. Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar. Como construir uma relação duradoura com cola tão fraquinha? Por isto os casais se separam, por causa do amor, pela ilusão de um outro amor. Qualquer tolo sabe que o pássaro só fica se estiver na gaiola. O amor é cola fraca para produzir um casamento duradouro porque no amor vive o maior inimigo da estabilidade: a liberdade. É preciso que o pássaro aprenda que é inútil bater asas. Um casamento duradouro é aquele em que o homem e a mulher perderam as ilusões do amor.</p>
<p align="justify">- Foi aí que nos separamos &#8211; ele continuou.</p>
<p align="justify">- Não porque discordássemos que casamento deveria ser eterno. É isto que eu quero. Nos separamos porque não estávamos de acordo sobre o que é que junta um homem e uma mulher, eternamente. Deus é um romântico. Eu sou um realista.</p>
<p align="justify">- Qual foi então a sua proposta? Que cola deveria ser usada?- perguntei, perplexo.</p>
<p align="justify">- O ódio. &#8211; respondeu ele. &#8211; Enganam-se aqueles que dizem que o ódio separa. A verdade é que o ódio junta as pessoas. Como disse um jagunço do Guimarães Rosa, quem odeia o outro, leva o outro para a cama. Diferente do fogo da vela, o fogo do ódio é como um vulcão. Não se apaga nunca. Por fora pode parecer adormecido. No fundo, as chamas crepitam. A diferença entre os dois? O amor, por causa da liberdade, abre a mão e deixa o outro ir. No amor existe a permanente possibilidade de separação. Mas o ódio segura. Não tenha dúvidas. Os casamentos mais sólidos são baseados no ódio. E sabe por que o ódio não deixa ir? Porque ele não suporta a fantasia do outro, voando livre, feliz. O ódio constrói gaiolas, e ali dentro ficam os dois, moendo-se mutuamente numa máquina de moer carne que gira sem parar, cada um se nutrindo da infelicidade que pode causar no outro. As pessoas ficam juntas para se torturarem. Não menospreze o poder do sadismo. Ah! A suprema felicidade de fazer o outro infeliz!</p>
<p align="justify">Com estas palavras ele tomou do seu martelo e voltou ao seu trabalho:</p>
<p align="justify">- Tenho de provar que eu, e não Deus, sou quem sabe a receita do casamento que só a morte pode separar.</p>
<p align="justify">Eu me persignei três vezes e compreendi que o inferno está mais perto do que eu pensava.</p>
<p align="justify">(Retorno e Terno)<br />
Rubem Alves</p>


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					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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		<title>Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jan 2008 03:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="199" height="180" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" />Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
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					<span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/casamento-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="casamento" title="casamento" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-a-praga/">Rubem Alves &#8211; A Praga [crônica]</a></b>
					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
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					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
				</ul>
							<ul class="clearfix">
					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-entre-dois-amores-cronica/">Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</a></b>
					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
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					<span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a title="Frescol" rel="lightbox" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/028464000-1142864907_fresco_103a_.jpg"><img src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/028464000-1142864907_fresco_103a_.thumbnail.jpg" alt="Frescol" align="right" /></a>Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.</p>
<p align="justify">Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: &#8220;Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?&#8221; Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’</p>
<p align="justify">Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra &#8211; é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo&#8230;’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\&#8217; não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’</p>
<p align="justify">O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada &#8211; palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.</p>
<p align="justify">O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra &#8211; pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir&#8230; E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos&#8230;</p>
<p align="justify">A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá&#8230;</p>
<p align="justify">Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:<br />
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\&#8217;. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\&#8217;. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’</p>
<p align="justify">Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão&#8230; O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.</p>
<p align="justify">Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem &#8211; cresce o amor&#8230; Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim&#8230;</p>
<p align="justify">(O retorno e terno, p. 51.)<br />
Rubem Alves</p>


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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/casamento-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="casamento" title="casamento" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-a-praga/">Rubem Alves &#8211; A Praga [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
				</ul>
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					<span class="sub">09 January 2008 1:45 AM | 
					No Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.					</span>
				</ul>
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		<title>Rubem Alves &#8211; Entre dois amores [crônica]</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jan 2008 04:45:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joel Fabiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatus]]></category>
		<category><![CDATA[artísta]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="199" height="180" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210.jpg" class="attachment-post-thumbnail wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" />O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera.

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					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
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					<span class="excerpt">
					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/Casamento3-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="Casamento3" title="Casamento3" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/rubem-alves-ate-que-a-morte-cronica/">Rubem Alves &#8211; Até que a morte [crônica]</a></b>
					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b>
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a title="Divórcio" rel="lightbox" href="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/divorcio_dentro_pr.jpg"><img class="alignright" style="float: right;" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2008/01/divorcio_dentro_pr.thumbnail.jpg" alt="Divórcio" align="right" /></a>O seu coração estava dividido entre dois amores. De um lado, um velho amor que se desfazia e do qual, se despedia. Tinha estado ligado àquela mulher por anos de afeto manso e tranqüilo, de amizade real e sincera. Coisa alguma poderia negar este fato. Durante este tempo, ele se sentira como alguém que caminha por uma planície colorida, sem montanhas e abismos, o ar claro e sem brumas, sabendo exatamente o que o esperava. Seu amor havia alcançado aquela condição de certeza sem surpresas, livre dos sofrimentos do ciúme e das dúvidas que são o inferno dos apaixonados. E era isto que ele deixava para trás. E por isto sofria. Encontrara uma outra mulher cuja imagem, por razões que ele não podia compreender, despertara das cavernas da sua memória uma outra cena cheia de mistérios, de perfumes exóticos, de penumbras eróticas, onde crescia o fruto dourado da vida. E ali, nesta nova cena que se refletia nos olhos daquela mulher, e se via como um homem diferente, de corpo jovem dotado de asas, pronto a voar pelo desconhecido, em nada semelhante ao ser doméstico ruminante que morava na cena do seu primeiro amor.</p>
<p align="justify">Apaixonara-se por ela. Apaixonara-se pela bela cena que via como aura mágica, em torno daquele rosto. Apaixonara-se pela sua própria imagem, refletida naquele olhar. Queria tê-la para poder ter-se deste modo intenso que nunca antes experimentara.Era preciso dizer adeus. Deixar para trás a antiga companheira fiel, e a cena pálida, descolorida e monótona que aparecia em sua aura cansada. Assim são os velhos amores: fiéis e cansados&#8230; Mas a idéia de magoá-la o horrorizava. Chegar para ela e simplesmente dizer: “Estou apaixonado por outra mulher. Vou-me embora&#8230;” — isto seria uma grosseria que ele nunca se perdoaria. Queria poupar-lhe a dor de ver-se deixada só, na plataforma da estação, enquanto ele partia.A dor de quem fica é sempre maior.</p>
<p align="justify">Parece-se com a dor após sepultamento,quando se volta para a casa, e o espaço se enche com a presença de uma ausência. Na verdade a dor da partida é maior que a dor da morte. Pois o morto se foi contra a vontade. Partiu me amando. Partiu triste por me deixar. Nenhuma alegria o espera. Por isto os pensamentos de quem ficou descansam tranqüilos, sem serem perturbados por fantasias dos novos amores e prazeres à espera do que morreu. Pois nada o aguarda.A morte pode ser a eternalização do amor. A morte fixa a bela cena, enquanto a partida destrói a bela cena. O apaixonado sofreria menos com a morte da pessoa amada que com a sua partida para um novo amor. Quem quiser entender as razões dos crimes de amor terá de levar isto em consideração. Quem mata por amor é como um fotógrafo que deseja eternizar a imagem amada na bela cena. Não era isto que Cassiano Ricardo sugeria no seu poema ´ Você e o seu retrato`? Ele pergunta: Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente?E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente? E depois de sugerir várias respostas ela faz a seguinte afirmação: Talvez porque, no retrato, você está imóvel, sem respiração&#8230;Você, viva, ingrata, é a permanente possibilidade da surpresa, do gesto que irá destruir a beleza. Mas, no retrato, você fica imóvel. Transforma-se em quadro. Quem mata por amor é um fotógrafo (cruel) que imobiliza a bela cena. E assim a coloca na parede, como objeto de saudade e devoção, para sempre. Bem dizia Roland Barthes que a única coisa que se encontra fixada na fotografia, qualquer fotografia, é a morte.</p>
<p align="justify">Sim, o que fazer? Como partir sem fazer sofrer demais uma pessoa boa, por quem se tinha um afeto sincero? Por vezes uma mentira é o melhor caminho. Há verdades cruéis e mentiras bondosas. Na encruzilhada ética entre a verdade e a bondade, que a bondade triunfe.Imaginou então uma mentira. Iria dizer que estava em dúvidas sobre se ela realmente o amava. Que por vezes ele a observava com o olhar perdido, e que imaginava seus pensamentos distantes, andando por outros amores. Que, inclusive, durante o sono, ela dissera repetidas vezes o nome de um homem (Pobrezinha! Não teria formas de contestá-lo. Pois estava dormindo&#8230;) Assim, ele queria que os dois se dessem um tempo. Que ficassem longe, provisoriamente, a fim de que os sentimentos pudessem ficar mais claros. A distância é um excelente remédio para as confusões do amor. E assim ele fez.Ela ouviu suas alegações tranqüilamente, sem sobressaltos aparentes. Terminada a sua fala, quando ele se preparava para ouvir as contra- argumentações que deveriam se seguir, o que ele ouviu foi outra coisa: — Sabe? Cada vez mais me surpreende a sua sensibilidade. Como foi que você percebeu? Fiz tudo para esconder meus sentimentos de você! Eu não queria magoá-lo! Mas agora que você já sabe, é bom assumir a nossa verdade. De fato, há um outro. Chegou a hora de dizer adeus&#8230;</p>
<p align="justify">O que aconteceu naquele instante ele nunca pôde compreender. Pois aquelas palavras eram tudo de que precisava. Estava livre para se entregar sem culpas a sua nova paixão. Mas a única coisa que ele sentiu foi a dor imensa de uma paixão que repentinamente explodia por aquela mulher que lhe dizia adeus&#8230; E ele se viu solitário e triste, na plataforma vazia da estação, enquanto ela partia&#8230; Só lhe restava voltar para a casa vazia, onde ninguém o esperava&#8230; Como eu já disse: não é a pessoa que amamos; é a cena&#8221;.</p>
<p>(Retorno e Terno)<br />
Rubem Alves</p>


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					<span class="sub">23 January 2008 11:21 AM | 
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					<br /><span class="excerpt">
					Neste polêmico texto 'A Praga', do nosso grande pensador Rubem Alves, o autor afirma que a Igreja Católica considera o segundo casamento como uma praga social e faz duras críticas.					</span>
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					<span class="sub">15 January 2008 12:30 AM | 
					7 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Excelente crônica de Rubem Alves sobre o casamento.					</span>
				</ul>
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					<img width="36" height="36" src="http://joelteixeira.net/wp-content/uploads/2006/10/rubem_alves210-36x36.jpg" class="attachment-sidebar-thumb wp-post-image" alt="rubem_alves210" title="rubem_alves210" 0="" />					<b><a style="text-decoration: none;" href="http://joelteixeira.net/2008/01/tenis-x-frescobol-cronica/">Rubem Alves &#8211; Tênis x Frescobol [crônica]</a></b><br />
					<span class="sub">12 January 2008 12:30 AM | 
					2 Comments</span>
					<br /><span class="excerpt">
					Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.					</span>
				</ul>
			</ul>]]></content:encoded>
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